terça-feira, 9 de agosto de 2016


Fraturas


Lá fora os metais

Ser-vis

E os heróis de plástico

Essa falsidade

Que nos agride

Que cerra as gargantas

Sobressalta os olhares

Carregados de fantasmas

E este poema obstruído

Engasgado pela miséria

Jorrando como jorra o sangue

O medo e a coragem

Há de se explodir a vida

Como toda estrela que acorrentada

Carbura as próprias correntes

Quem nos jogou nesse cenário podre

Foi nossa própria mediocridade?

Quem tem medo do insconsciente

Que escancara

O oculto e o resistente?

Quem tem medo do tempo

Que se faz presente e eterno

Não sou a escrava das fibras óticas

E sim a chave dos olhares profundos

Pode ser na lama tóxica do rio desértico

Que outrora foi doce

Aqui morrerei...

Não me leve pra qualquer terra

Onde preto não fez raiz

Onde não tem pele vermelha

É mais impossível ser feliz

Não me adentra a beleza oca

Do espetáculo

Da mentira

Não me engana essa festa macabra

Que pisa nos nossos corpos

O sorriso maligno dos mafiosos

Nos encara e nos une

A desilusão da verdade

Nos encara e nos une

A solidão da margem

Mas sempre

E sempre

Renasceremos

Re-existiremos

Das fogueiras das verdades

As tochas se apagaram

Só pra indicar

Que nem de longe estamos vencidos

E nem de perto

Esqueceremos.

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