domingo, 14 de fevereiro de 2016

Pós-etisa

Comecei após
Com o que nos resta
O coração é fundo
Mas a mente é cibernética
Solitarismo total
Exige a vida
Pseudo-democrática
Pseudo-liberdade
Enquanto a família burguesa
Toma conta da cidade
Cujas cores sempre fogem
Dos matizes esperados
Primatas autômatas
Uni-vos
Contra a crueldade da razão
Informacional
Poemas de mil poetas
E pós-etisas
Ergam as múltiplas poéticas
Da vida
Encharquem a lama do rio
Que nunca mais será doce
Da poemática

Da revolta



Houve um impasse na escrita
Da poesia infinita:
Por onde começá-la?


Perdi a poesia
Na folia
Os pés imundos,
Os olhos fartos
Peito robusto
De medo
- mas isso é segredo
Já que sigo pelas ruas
Como se fosse imortal

Como as maiores montanhas do mundo


Para sempre
Não mais
É muito
Na verdade é o instante
Que apesar
Do agora
Segue
Entre tanto
Entre tudo


Sejamos
Um universal
Concreto
Unidos
Pelo verso
Que desperto
Se despe
E adentra o tecido
[in] tenso
Do dia
O sol
Quando me encontra
Agradeço
Ainda que o fio espesso
Da morte
Se encontre a todo momento
Na sorte
Da vida
Mais hora
              Menos hora
O que veio
            Se esvai