quarta-feira, 12 de outubro de 2016


  A saga do rio           

Prossigo
no in-verso
Reverberando o grito
Estendendo a rede
e o ouvido
Repito
o mito
E enxergo
Cada vez mais alguém
Que quer o mesmo que eu
Que cresce
Que tem alcance
Que quer estancar o sangue
Ir além
Mas sabe que antes disso
porém
ele terá que jorrar
Pelo leito certo
E os peixes farão do seu rio morto
A nova promessa de vida
que vai saciar nossa sede
de liberdade 
e de justiça 


quinta-feira, 1 de setembro de 2016


Me inquieta ver o passado
Me inquieta acompanhar o presente
Me inquieta VIVER

Os muros sempre falam
as feridas e as fraturas
ex-postas
se entrepõe
à sobrevivência
diária
O ar é denso
de desilusão

Vi ter um vazio aí
E essa verdade
Vai encharcar o tempo
De saudade

Oh bruta flor
nem sabe o que quer
Algum dia
o jogo viraria
Não foi pra onde eu mirei

Mas continuo no campo de batalha
Estudando possibilidades




terça-feira, 9 de agosto de 2016


Fraturas


Lá fora os metais

Ser-vis

E os heróis de plástico

Essa falsidade

Que nos agride

Que cerra as gargantas

Sobressalta os olhares

Carregados de fantasmas

E este poema obstruído

Engasgado pela miséria

Jorrando como jorra o sangue

O medo e a coragem

Há de se explodir a vida

Como toda estrela que acorrentada

Carbura as próprias correntes

Quem nos jogou nesse cenário podre

Foi nossa própria mediocridade?

Quem tem medo do insconsciente

Que escancara

O oculto e o resistente?

Quem tem medo do tempo

Que se faz presente e eterno

Não sou a escrava das fibras óticas

E sim a chave dos olhares profundos

Pode ser na lama tóxica do rio desértico

Que outrora foi doce

Aqui morrerei...

Não me leve pra qualquer terra

Onde preto não fez raiz

Onde não tem pele vermelha

É mais impossível ser feliz

Não me adentra a beleza oca

Do espetáculo

Da mentira

Não me engana essa festa macabra

Que pisa nos nossos corpos

O sorriso maligno dos mafiosos

Nos encara e nos une

A desilusão da verdade

Nos encara e nos une

A solidão da margem

Mas sempre

E sempre

Renasceremos

Re-existiremos

Das fogueiras das verdades

As tochas se apagaram

Só pra indicar

Que nem de longe estamos vencidos

E nem de perto

Esqueceremos.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Papel e caneta

tem amigos que não se desgrudam
são o refúgio
o repouso
sem receio
do tempo
entra touch
sai tecla
e esse entrelace é tão certeiro
quanto fevereiro





quarta-feira, 30 de março de 2016

Então me diga você 
se o dizer caminha
Somente pelos lábios
do silêncio
Ou se é devaneio 
falar sobre isso
Se é feitiço de poema 
fazer alarde
por esse tema
Quando os fogos de artifício 
e a chuva
se avizinham
Aqui
e lá dentro


VIDA

Fina ou bruta
Depende do caráter
da labuta
tem dias 
que parece ser melhor 
alimentar os vermes
Não se sabe quem sobreviverá
Só se sabe 
Que o sistema
Está fora do ar


TODA POESIA DO MUNDO
Discorre
no discurso do vento
Que avisa
da ausência
E da presença
do espaço
Que contorna
e preenche
ao mesmo tempo
todos os tecidos
que o sol revela
[E aqueles ocultos também]

TODA POESIA
No fundo
é quase tudo
E escapa pelas frestas
da palavra
Pode ser aquilo que se esbarra
Pode vir até via satélite
O fato é que vem
Seja no gozo
Seja no além



quarta-feira, 23 de março de 2016

Basta
Chega
Já deu
É guerra
Sincera
É Fogo
Nas cercas
Marreta
nos muros
a luz do sol
vai percorrer os becos
as bocas pretas
vão gritar
com certeza
libertemos
nossos sangues
nosso futuro
dos tentáculos
do escuro
libertemos
nossa alma plena
as lanças
estarão prontas
e os punhos
e as cordas
vocais
e os atabaques
e os maracás




domingo, 14 de fevereiro de 2016

Pós-etisa

Comecei após
Com o que nos resta
O coração é fundo
Mas a mente é cibernética
Solitarismo total
Exige a vida
Pseudo-democrática
Pseudo-liberdade
Enquanto a família burguesa
Toma conta da cidade
Cujas cores sempre fogem
Dos matizes esperados
Primatas autômatas
Uni-vos
Contra a crueldade da razão
Informacional
Poemas de mil poetas
E pós-etisas
Ergam as múltiplas poéticas
Da vida
Encharquem a lama do rio
Que nunca mais será doce
Da poemática

Da revolta



Houve um impasse na escrita
Da poesia infinita:
Por onde começá-la?


Perdi a poesia
Na folia
Os pés imundos,
Os olhos fartos
Peito robusto
De medo
- mas isso é segredo
Já que sigo pelas ruas
Como se fosse imortal

Como as maiores montanhas do mundo


Para sempre
Não mais
É muito
Na verdade é o instante
Que apesar
Do agora
Segue
Entre tanto
Entre tudo


Sejamos
Um universal
Concreto
Unidos
Pelo verso
Que desperto
Se despe
E adentra o tecido
[in] tenso
Do dia
O sol
Quando me encontra
Agradeço
Ainda que o fio espesso
Da morte
Se encontre a todo momento
Na sorte
Da vida
Mais hora
              Menos hora
O que veio
            Se esvai


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016



Pássaro do deserto
Qual deus te trouxe ao mundo
Pra dançar sobre a terra dourada
Pra lançar teu canto corpóreo
Que desafia o tempo
A ordem
As guerras dos homens
Menino
Que espírito antigo
Te habita ?
Tua verdade dilacera outras verdades
Tua verdade não espera
O possível
Projeta no visível
O invisível
E te faz um canal de energia
Tão bruta e refinada!
Mal começou
E já é lenda
Mal despertou
No seio da terra
E já trouxe a eternidade
Nos braços da beleza amarga  
Do exílio
O êxtase da vitória
Da sobrevivência
Incompleta