terça-feira, 27 de outubro de 2015

Ancestralidade

Teu
Sangue
Meu
Escorrendo nesse labirinto
E ainda a vida
Grita
Da janela do absurdo
Do mais completo obscuro
Construído pela inércia
E o sentido da estrada
Se faz
Na lapidação
de cada peito
vasto ou estreito
de dor ou prazer
nos interessa
o ser
nos interessa
viver
para ver
a liberdade
nem cansaço
nem desdém
nem bombas
nos contém
já jorramos
fora das represas
somos filhas dos dias
e as filhas das filhas
das filhas
nos embalarão
em novas canções
tiradas das mais belas tradições
somos infinitas
aceitem




Encarnei na melanina
Na pele preta fina
Lâmina
Feminina
Corte doce e reto
Do dia enclausurado
No mesmo eterno caos
Assistido pelos céus
Movido pelas almas
Vivido pelas gentes
Que range os dentes
Por dentro e por fora

Faz acontecer
A hora
Amanhã é raro
Melhor nem pensar
Ri, chora
e derrama
A beleza
Da nossa origem forte
Não devemos nossa vida
Ao azar ou sorte
Melanina n´alma
Do caminho
Aflora
Noite adentro
As cores

e os espinhos


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Senha de si

Que tal libertar a palavra
da forma ingrata
Que tal libertar a forma
de suas represas
As vidas acesas
no núcleo oculto
profundo do tempo
O encontro venal da verdade
com seu intento
reatando o elo
da inteligência
concreta,
aberta ao transtorno
desatando os fluxos
da alteridade
infinita e plena
liberdade
Grande jornada
sem partida
ou chegada

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Aos céticos


Foi somente um sonho
Apenas
um sonho
mas floresce
tudo vivo
dentro do peito
[não se esquece]
tudo sinto
causa e efeito
freio e impulso
morte e vazão
de vida
nada direito
tudo estreito
ou indefinido
sem substantivo
mas quase
que nada
nos tira a paixão
na guerra e na paz:
 justa direção
acordo a existência
me banho em utopia
 caminho na certeza
abraço a consciência
estendo as mãos com gozo
áquele que me integra
se somos vãos
imaginem o mundo
sem essas mãos