terça-feira, 21 de julho de 2015

Rimas vitais (para os filhos dos dias)


Estradas e barreiras
Dos dias
Entradas e bandeiras
Da alma
Sem as respostas cabíveis
Nas represas da fala
Sem os futuros
Possíveis de outrora
Mas sempre as belezas
Presentes no agora
De encanto...

No entanto
Os gritos seguem fundamentais

Rimar ou não rimar
Parece opção
Mas é como a vida

- Não


sábado, 11 de julho de 2015

Uns lutam contra o deserto
Outros na multidão
Todo poema é um fôlego
De um rio interrompido
Pela desilusão
Um encontro
Da palavra que não quer engessar estantes
Que derrama explosiva
A vida antes obstruída
Pelos poros do mundo
- e o agora se realiza

A densidade do tempo se dilui
Alguma verdade se abre
Quem quiser ver
Verá
O desencanto se imortaliza
Reencantado
E quem sabe ecoa como melodia
Além-mar

Mas que tarefa ingrata
Dar forma de palavra
Ao que nem mesmo tem razão
Dar volume, cor e cheiro
Ao que nos toma por inteiro
E não finda

Uma parte de tudo é escolha
A outra é condição
Não são os discursos
que prometem paraísos
 que nos salvam
E sim aqueles breves momentos
em que somos verdadeiros
Despidos das engenharias do mundo
No abandono absoluto
No vazio
No fundo do fundo

Na superfície é fácil legitimar a beleza
Difícil é enxergá-la
Não se sabe como dançam as veias da vida
Não se sabe que ritmo trazem
Para percorrer os dias
As mãos e os pés tateiam
As linguagens ocultas da terra
E pelo andar do desencontro
Ainda somos iniciantes