sábado, 3 de janeiro de 2015

Dos males o maior


É meu banquete de covardia
Fraturando sonhos
Na verdade é vergonha
De desobscurecer
O dia

É sempre esperar o pontapé
De um
        de outro
Do destino
É medo de ficar como já está
E mais sozinha

Catando nos lixos da alma
Meus significados
Há de se deixar
        o que deve ser
E quem quiser ficar...

Já me conformei
Sempre serão poucos

E eu me alugo
(nunca vendo)
A esses mundos maciços que nem são meus
São cheios do que é ou que não é
No fim querem só se divertir a qualquer custo
E não querem nada
Porque estão sempre prestando atenção no que menos importa?
E fazendo aqueles planos absolutamente chatos
Ou qualquer coisa que nunca
É coisa alguma

Qualquer coisa que nunca é inquietação
Sonho ou utopia!

Mas sempre intermediados por algum tipo de consumo compulsivo
De drogas lícitas
que antes de entorpecerem a razão
já são excelentes pra deixar qualquer um mais chato

E eu andando no meio desses co(r)pos
Pedindo socorro
Vou-me direcionando ao desespero
Quando de qualquer desculpa
Surge o ônibus
O único coletivo
Que me transporta
à inevitável
solidão
ufa!

E então recomeçam os problemas

Dos males

O maior


Sem título


A vida é sempre quase
É sempre
quase nunca;  
ás vezes sim e não

Tão deserto e multidão
Tão oca
De com certeza
É chuva
De lava vulcânica
é granizo, é rojão
E muita mentira

Sempre me soa
polifonia aguda
de quem sabe
um dia

A única coisa que resiste
é poesia

É um sim secreto
que anda lado a lado
com o anseio do porvir
e não adianta forçar o cadeado
tem que ir pra cima
costurar fio por fio
de asa
até morrer
ou desistir

Ou costurando sons
ou palavra por palavra
Enquanto a liberdade não vem

Enquanto o quando não é
nem acho o caminho da coragem
de ser
Vou-me sendo em fragmento
vou me derretendo
ao vento
vou me espalhando

no tempo...