terça-feira, 14 de outubro de 2014

Salva (a dor)



Cidade – mar aberto
De corpos como o meu
De chuvas efêmeras refrescantes
De quase paz
De quase utopia
De tudo que poderia
 mas não é
Ou é por um minuto na ótica do viajante
Mas é denso,
E é além
É o início, é a síntese e o tempo
Urbano e não urbano
Hipnose verde-azul salgado
Tudo salgado depois de um tempo
Daonde brota doçura
E se instala maresia no peito
Que só sai destroçada
Pela volta.

E agora já sei o que basta
Já sei porque antes já te amava
De te ouvir
Cidade que sempre foi 
Aonde recomecei e me refleti
Aonde fui salva

 Já o rapaz castanho
Soteropolitano, 
filho de pescador
Teve estudo porque quis
Porque é sonhador
Anda de graça
Agarrado a baía
Coração destroçado
Queria estar casado
Mas agora vai pra França
Ganhar em euro
Vai sofrer,
mas volta
[E só voltando]
Porque o contrário é impossível,
Esquecer o indizível
É impagável ...