quarta-feira, 12 de março de 2014

Soleiras da alma

Minha artista me diz
Que não há amanhã;
Que em tudo vale o encanto
E o contorno da inspiração

Mas noutro canto está indisfarçável
Este eu que nunca voou plenamente
Enquanto carrega o mundo – este eu
Não se contenta com quase nada,
E permanece distante
De euforias passageiras

São aqueles eus de janelas,
De soleiras
De poemas
São aqueles eus de verdade

Que saem tropeçando e engolindo
Os ventos doces ou intragáveis
Num só
Desvelo,
E com gratidão.

Qualquer glória que for minha,
É só boa
E só

Se for nossa sim:
É grande como quero

O que espero me transcende,
Por isso meu anseio é visto como vão
Por isso preciso aprender
Não a esquecer

Mas a celebrar
Nem que seja sonhando
Que foi antecipada
Nossa vitória...

Preciso atravessar estes mundos
Tão meus
América minha,
Por ti voarei

Em tuas alteridades
Tuas altitudes
Friagens e desertos
Para poder parir-te em mim

Neste início de tudo.



sexta-feira, 7 de março de 2014

No nada ( e só)

Preciso de mim
No nada
Sem palavras

Que nada toque
Ninguém me espere

Apenas o som de alguns passos
E de alguma respiração
Lenta,
Sem receios

Preciso só
De mim
Sem perguntas [e afins]
Apenas o som natural do tempo
Suprindo minhas retinas